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Mulheres que deixam de viajar sozinhas por segurança

Pesquisa do Ministério do Turismo com a Unesco: 62% das mulheres já deixaram de viajar sozinhas por segurança. O que mostra e o que fazer.

Gráfico de barras com um marcador de localização, ilustrando uma pesquisa sobre viagens de mulheres.

Se você já desistiu de uma viagem porque não se sentiu segura, você não está exagerando. Em 2026, o Ministério do Turismo divulgou uma pesquisa feita com a Unesco que mostra o tamanho disso no Brasil. Neste texto, eu conto o que ela diz, o que não dá para concluir e o que fazer na prática.

De onde vêm os números

A pesquisa “Mulheres que Viajam Sozinhas” é a base do Guia para Mulheres que Viajam Sozinhas, publicado pelo Ministério do Turismo em parceria com a Unesco. A página do guia fica no portal do ministério (gov.br/turismo, Guia para Mulheres).

Uma observação de transparência: o portal gov.br não abriu o PDF completo para mim, então os números abaixo vêm da cobertura da Agência Brasil, agência pública de notícias, que reproduz os dados divulgados pelo ministério. Se for citar em trabalho ou reportagem, confira no PDF do guia.

O que a pesquisa mostra

Segundo a Agência Brasil, de 5 de março de 2026, a pesquisa foi concluída em agosto de 2025 e ouviu 2.712 mulheres. Entre os resultados:

  • 62% das entrevistadas afirmaram já ter deixado de viajar sozinhas por questões de segurança.
  • 61% disseram já ter vivido alguma situação que as fez se sentir inseguras.
  • Entre as mulheres que se identificam como pretas, pardas ou indígenas, o percentual que já deixou de viajar por segurança sobe para 65,35%.

A reportagem também traz o que as mulheres disseram que as faria se sentir mais seguras: mais policiamento e câmeras de segurança (29,3%), melhorias em transportes e hospedagens (21%), informações específicas para mulheres (17%) e mais funcionárias no turismo (16%).

Uma matéria posterior da Agência Brasil, sobre o lançamento do guia, descreve a pesquisa como nacional, realizada entre agosto e setembro de 2025, com mulheres de todas as regiões do país. Ela cita que cerca de 41,8% das brasileiras já fizeram viagens solo, e o ministro do Turismo falou em 60% como número arredondado (Agência Brasil, maio de 2026). Os números diferem um pouco de uma matéria para outra, por isso eu uso aqui os da reportagem de março e arredondo quando falo de proporções.

O que dá para concluir, e o que não dá

Dá para dizer que, entre as mulheres entrevistadas, deixar de viajar por segurança é comum. Não dá para dizer que a viagem sozinha é perigosa em si, nem tirar conclusões sobre um destino específico. A reportagem não detalha método de amostragem nem margem de erro, então eu trato os números como um retrato do que as entrevistadas relataram, não como estatística de crimes.

Outro ponto: o guia reforça que a segurança das mulheres não deve recair só sobre quem viaja. Hotéis, bares, restaurantes e transporte também têm papel, e esse é um dos eixos do material, segundo a Agência Brasil.

O que o guia do ministério cobre

Segundo a Agência Brasil, o guia traz recomendações para várias etapas da viagem: planejamento do roteiro, escolha de destinos e hospedagens, cuidados com deslocamentos, avaliação de ambientes e serviços e estratégias que as próprias entrevistadas usam para lidar com situações de risco. É um bom material de consulta gratuito, e vale ler a versão original no portal do ministério.

Se você já desistiu de uma viagem

Isso não quer dizer que você vai desistir para sempre. Muita gente começa por um programa menor: um passeio de um dia, um fim de semana, uma cidade conhecida. Aos poucos, o plano cresce junto com a confiança. Desistir de uma viagem específica porque algo não pareceu seguro também é uma decisão válida, e não precisa de justificativa.

O que fazer na prática

Do lado de quem viaja, algumas decisões reduzem o aperto, sem prometer risco zero:

  1. Escolha o destino pelo seu nível de conforto. A primeira viagem pode ser curta e perto de casa. O roteiro de fim de semana sozinha pelo Brasil ajuda.
  2. Pesquise hospedagem e deslocamento. Os itens de melhoria que as entrevistadas mais citaram foram transporte e hospedagem, então vale olhar avaliações, localização e como você chega à noite.
  3. Tenha uma rede de apoio. Uma pessoa de confiança com seu roteiro e seus horários. O texto sobre como pedir ajuda viajando sozinha detalha o passo a passo.
  4. Considere viajar em grupo. Dividir a viagem reduz o peso da decisão. Veja como montar um grupo de viagem para mulheres.
  5. Combine regras antes. Horário de voltar, lugares onde não vai, como se encontram se alguém se perder.

Em emergência, ligue 190. Para orientação sobre violência contra a mulher, o Ligue 180 atende 24 horas (Ministério das Mulheres).

Por que isso importa para quem planeja uma viagem

Saber que tanta gente já passou pela mesma dúvida tira um peso: a hesitação é comum e não é frescura. Mas o dado também serve de alerta contra respostas prontas. Não existe formulário que garanta uma viagem tranquila, e a melhor preparação costuma ser a soma de pequenas decisões: destino compatível, hospedagem pesquisada, deslocamento combinado, pessoa de confiança informada e, quando fizer sentido, companhia. Cada mulher tem o seu limite de conforto, e ele pode mudar de uma viagem para a outra.

Onde o Viajadoras entra

O Viajadoras existe porque essa insegurança é real. É um app gratuito, só para mulheres, em que as participantes passam por selfie verificada pela equipe, e você acha companhia para viagens pelo Brasil e para rolês com data e lugar em Goiânia.

Isso é uma característica do app, não uma promessa de que nada vai dar errado: a verificação filtra quem entra, mas cada encontro e cada viagem continuam pedindo os cuidados de sempre. Converse antes, combine tudo e confie no seu incômodo.

Para começar, veja viajar sozinha sendo mulher, companhia para viajar e viagens para mulheres. Quem prefere sair do papel com companhia pode ler como achar companhia para viajar.

Perguntas rápidas

A pesquisa fala de Goiânia? Os dados que consegui confirmar são nacionais. Eu não encontrei recorte por cidade.

62% é o mesmo que 62% de todas as brasileiras? Não. É o percentual entre as 2.712 entrevistadas.

Viajar em grupo resolve? Ajuda a dividir decisões e imprevistos, mas não elimina riscos.

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